GDC 2017 - Conhecimento, União e Networking no mesmo evento! #GameAudioUSA

Na última sexta-feira acabou a GDC 2017 e neste texto vou te contar como foi a edição desse ano na minha opinião e tudo que eu vivi nela, se você chegou nesse texto interessado em saber mais do que esta nesse texto, considere acessar esse link, nele tem um Workshop mostrando tudo que eu aprendi na feira (ele é focado em interessados em áudio para games principalmente, mas serve para interessados em desenvolvimento também).

Pré GDC

Como era a minha segunda GDC eu decidi que esse eu ano ia chegar um pouco mais cedo para preparar meu corpo para o fuso horário local (hoje 5 horas a menos que o horário de Brasília) e também para visitar a sede da Blizzard em Irvine, que fica uns 40 minutos de carro de Los Angeles, com isso deixei de ir até a Train Jam, a tradicional Game Jam que ocorre antes da GDC num trem que vai de Chicago para San Francisco.

 Eduardo Zolhof e Bettina Calmon, Brasileiros que representaram a galera de áudio na Train Jam

Eduardo Zolhof e Bettina Calmon, Brasileiros que representaram a galera de áudio na Train Jam

Minha visita na Blizzard ocorreu graças a um convite do amigo Celso O’Donnell (conhecido como Umildassow,  Community Manager de Overwatch e Diablo), tive o prazer de ser guiado pelo Raphael Mena (também amigo de longa data) e depois de uma almoço com eles juntamente com o também Brasileiro André de Abreu.

 Partituras originais do tema do Overwatch juntamente com um Tenori personalizado com ela.

Partituras originais do tema do Overwatch juntamente com um Tenori personalizado com ela.

 

Ao final ainda  tive o prazer de conhecer pessoalmente o Paul Lackey, supervisor do time de sound designers da casa (era o lead que faltava conhecer, pois por anos pude encontrar com o Rusell Brower, diretor de áudio, na Video Games Live). Não estive sozinho na tour, estiveram comigo, Daniel Silveira (Diretor Geral da Bitten Toast Games, da qual eu sou Diretor de áudio) e a Kristina Vandale (que também esta entrando no time como Game Designer).

 Clássica foto na sede da Blizzard, aqui as equipes dos jogos normalmente tiram as fotos de time

Clássica foto na sede da Blizzard, aqui as equipes dos jogos normalmente tiram as fotos de time

Abaixo eu fiz um vídeo mostrando um pouco da Tour, ela passa por um museu fantástico do Overwatch e por diversas estatuas e locais míticos da empresa.

Depois da visita na Blizzard ainda tive tempo de ir ao parque da Universal turistar um pouco, mas isso não vem ao caso ehehe.

 Parque do Harry Potter na Universal é fantástico! Recomendo!

Parque do Harry Potter na Universal é fantástico! Recomendo!

Já em San Francisco, fui no final de semana antes do inicio da GDC com o Mauricio Alegretti (Indústria de jogos), Sandro Junki (Sinergia), Tiago Moraes (Ovni Studios), Camila Malaman (Webcore), Rodrigo Scharnberg (Webcore) e o Ivan Barbosa numa tour pelo vale do silício. Foram muitas garagens hehehe (garagem onde foi fundada a HP, garagem onde o google começou, garagem onde a Apple começou), visita em Stanford, visita ao Google(com direito a role de bicicleta) e no final visita ao museu da computação (eu estudei quando mais novo e inclusive antes de trabalhar com áudio eu tinha uma carreira em TI, por isso foi o ponto alto do passeio).

 Galera que foi na Tour tirando a tradicional foto no Like do Facebook

Galera que foi na Tour tirando a tradicional foto no Like do Facebook

GDC – União

A GDC rola numa semana inteira, por isso vou começar elencando cada uma das coisas que a conferencia proporciona, e a primeira é a união!

 Alguns dos Brasileiros no encontro da América Latina nos escritórios da Unity em San Francisco

Alguns dos Brasileiros no encontro da América Latina nos escritórios da Unity em San Francisco

Pra começar vamos falar do ambiente que circunda esse evento, uma informação importante é que não foi minha primeira (já tinha ido em 2016) e com isso meus relatos não carregam tanta admiração de um marinheiro de primeira viagem!

O ambiente é o mais próximo possível, e digo isso não só de Brasileiros, mas de pessoas do mundo inteiro, nas mesas do West Hall do Moscone Center (onde as palestras e bootcamps aconteciam) eu conheci desenvolvedores, artistas, audio designers e compositores do mundo inteiro, era um lugar onde você se sentava a mesa com um compositor indicado ao Grammy (Austin Wintory, no caso) e trocava uma ideia numa boa com um estudante de música, sem estrelismos, sem seguranças que cada vez mais permeiam o ambiente das celebridades por aqui. O mesmo sentimento se repete em todas as esferas da feira, trombei mais de uma vez com o Machine Heart (do Hyperlight Drifter) e com o Rami Ismail e tudo foi extremante simples e próximo como um encontro de desenvolvedores da minha região.

As festas ajudam bastante a acentuar essa reunião, todo dia tem festa durante a GDC (normalmente umas duas por dia), esse ano eu fui bem seletivo e fui no máximo em umas duas, pois preferi focar na Audio Track (e dormindo todo dia as 2 da manhã eu não ia conseguir comparecer a uma palestra as 10).

Sobre os Brasileiros vale ressaltar que esse ano tinha muito Brasileiro na GDC! Foi segundo a galera do BGD a maior delegação Brasileira em todos os anos, nos encontros da América Latina (do Xbox e da Unity) era muito frequente escutar mais o Português que o Espanhol (coisa que não rolou ano passado), a galera se uniu verdadeiramente, tanto para combinar almoços e eventos quanto até pra comprar o Nintendo Switch no lançamento (eu fui um dos felizardos a conseguir no dia do lançamento). Sabe aquela sensação de ter gente que não se mistura muito que era comum uns anos atrás na indústria? Esse ano foi praticamente zero!

Fora isso tudo tivemos jogos Brasileiros na Expo! A Behold mostrando pela primeira vez o Galaxy in pen and paper e a Flux mostrando o GUTS, foi bonito ver Brasileiros ao lado com seus jogos em destaque!

GDC – Networking

Pra começar eu tive a oportunidade uns dois antes da GDC de visitar meu amigo Dale Crowley (manager da SomaTone, um dos estúdios mais antigos de áudio pra games nos Estados Unidos, ele que também é Business Development na Elias Software) para conhecer mais sobre as features da nova versão do Elias, essa visita despretensiosa me rendeu dois possíveis Jobs, o primeiro foram vozes para jogos que eles estão desenvolvendo na empresa e o segundo é uma trilha pra um dos jogos (que já estamos conversando sobre), esse é um pequeno exemplo que aqui as coisas fluem de forma natural.

 Eu e o Dale durante uma das sessões de gravação na SomaTone

Eu e o Dale durante uma das sessões de gravação na SomaTone

 Estúdio principal da SomaTone

Estúdio principal da SomaTone

Agora vou falar sobre quão pulsante é o ambiente da GDC para Networking, antes do dia 01/03 rolaram apenas palestras, bootcamps e encontros de desenvolvedores, neles já é muito possível realizar networking, não só com pares (gente da mesma área que você, no meu caso áudio), mas também com gente de todas as áreas da indústriae com isso as coisas vão fluindo, tanto na Game Connection (feira que acontece no estádio dos Giants e é focada 100% em Business) quanto na GDC, você tem oportunidade de exercer o Networking praticamente todo tempo, não estou brincando, se existe uma máxima de toda GDC é: “Não importa quantos cartões você trouxe pra GDC, eles vão acabar antes do fim da convenção!”.

Pra concluir, é um ambiente rico onde tanto na Expo, na fila do café, nas palestras e até nas festas (ah as festas hehehe) pode rolar uma oportunidade de negócio.

GDC – Conhecimento

 Eu e o Mick Gordon, compositor da premiada trilha da nova versão do jogo Doom (2016) e da nova versão da trilha do Killer Instinct

Eu e o Mick Gordon, compositor da premiada trilha da nova versão do jogo Doom (2016) e da nova versão da trilha do Killer Instinct

Que tal aprender sobre como sua trilha soar de forma 100% original com o compositor da trilha sonora do novo Doom? Será que é bacana entender como a Square fez áudio dinâmico pro Final Fantasy XV? Hummm será que rola entender um pouco sobre como fazer trilhas que geram suspense com a compositora que trabalhou no God of War? Não esta feliz ainda né? Que tal aprender com um dos sound designers do Overwatch o pipeline que eles usaram para os projetos de áudio dinâmico?

 Palestra do grande Inon Zur, sobre como ele fez a trilha do jogo Fallout 4 soar de forma tão original

Palestra do grande Inon Zur, sobre como ele fez a trilha do jogo Fallout 4 soar de forma tão original

Pois é, resumindo bem, essa foi a Track de Áudio da GDC esse ano, você simplesmente aprende com os melhores da indústria, tanto de jogos indie quanto de jogos já consagrados, essas palestras vão estar daqui alguns meses disponíveis na totalidade pra quem compra o Vault (custa uns 500 dólares, valor inclusive menor que os 699 para você entrar na track de áudio), porém poder perguntar o que você quiser pra esses caras na hora da palestra, não tem preço!

Fora das palestras você ainda tem acesso a esses caras, pode perguntar, conversar, pedir conselhos! Sim!! É muito bom e eu indico pra quem é estudante e pra quem já tem anos de indústria.

Ah ficou interessado(a)? Na Game Audio USA eu dou um briefing bem mais detalhado de cada uma dessas palestras!

Resumo final: A GDC 2017 na minha opinião foi tão boa quanto a de 2016, quem veio assistir as palestras eu fortemente recomendo que separe um tempo pra ir na EXPO, pois é uma feira que vem crescendo cada vez mais, eu por exemplo, pude testar o Switch na Expo uns dois dias antes do lançamento do mesmo e a própria Nintendo já estava dando aquele help sobre como pensar em desenvolver para o novo console.

Recomendo a GDC?

Sim, fortemente pra qualquer desenvolvedor/artista/profissional de áudio focado games.

Sobre o autor:

Thiago Adamo fundou em 2014 a Game Audio Academy para democratizar e difundir o conhecimento e ensino de áudio para games em Português, ele trabalha desde 2008 na área e compôs trilhas e efeitos para mais de 45 games dentre eles What The Box? (sucesso de vendas e jogado pelo Youtuber Pew Die Pie, maior canal do mundo) e Rocket Fist. Foi produtor da Video Games Live de 2012 até 2016. Hoje é diretor de Áudio da Bitten Toast Games do Canadá e já tocou como músico nos lançamentos de games como Gears of War 3, Heroes of Storm, Call of Duty entre outros.

Foi duas vezes escolhido pelo Drops de Jogos como músico de games do ano e tido pela Red Bull Games como um dos mais influentes profissionais da área.